O inverno não traz apenas paisagens aconchegantes, bebidas quentes e roupas elegantes. Para muitas pessoas, a estação mais fria do ano significa também maior incidência de desconfortos oculares causados pelo clima seco, pelo uso intensivo de aquecedores e maiores períodos em ambientes fechados. Quem possui olhos secos ou faz uso de lentes de contato costuma sentir ainda mais os efeitos dessas condições.
Por que nossos olhos sofrem mais no inverno?
A superfície ocular é protegida por uma fina e delicada camada de lágrima, essencial para a manutenção da hidratação, nitidez da visão e defesa contra agentes externos. No frio, a umidade do ar tende a cair e o calor de aquecedores ou ar-condicionado acelera a evaporação dessa camada, resultando em sintomas como ardência, coceira, vermelhidão, sensação de areia e até visão turva. Pessoas que já convivem com olho seco crônico, portadores de algumas doenças autoimunes, idosos ou usuários frequentes de telas digitais e lentes de contato precisam ficar atentos: a tendência ao ressecamento aumenta consideravelmente no inverno.
Cuidados Reforçados: Mais do que o Básico
1. Ambientes e rotinas adaptados: Ao utilizar aquecedor ou ar-condicionado, invista em umidificadores ou, na ausência destes, deixe uma bacia de água ou toalhas úmidas no cômodo. No carro, evite direcionar a saída de ar diretamente para o rosto.
2. Hidratação e alimentação: Manter-se hidratado é fundamental. Além da água, insira alimentos ricos em ômega 3 (como sardinha, chia e linhaça), que contribuem para a qualidade da lágrima.
3. Descansos visuais: Diante da tela de computadores e celulares, lembre-se de piscar conscientemente e fazer pausas (regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhe para algo a 20 pés (6 metros) de distância, por 20 segundos).
4. Proteção ao ar livre: Use óculos de sol, mesmo em dias nublados, para evitar exposição direta ao vento frio e poeira.
5. Colírios lubrificantes: O uso de lágrimas artificiais pode aliviar muito o desconforto, mas somente com indicação do seu oftalmologista, que irá orientar sobre o tipo adequado ao seu perfil e rotina.
Atenção para quem usa lentes de contato
O ressecamento potencializado pode trazer maior risco de irritação, infecções e até lesões na córnea. Por isso:
Lave bem as mãos antes de tocar nas lentes.
Reduza o tempo de uso, alternando com óculos, principalmente em dias muito secos.
Colírios lubrificantes só devem ser usados se forem compatíveis com lentes de contato — evite fórmulas que contenham conservantes agressivos.
Sinais como desconforto intenso, vermelhidão persistente ou visão embaçada, indicam que você deve retirar as lentes imediatamente e procurar orientação oftalmológica.
Quando procurar um especialista?
Se os incômodos persistirem, aumentarem ou surgirem alterações na visão, a avaliação de um oftalmologista é fundamental. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado resguardam a saúde e a qualidade de vida durante todas as estações do ano.